Saturday, October 21, 2006

Eu não quero!

Apologia (explícita) à subversão!



"A espécie de felicidade de que preciso não é tanto a de fazer o que eu quero, mas a de não fazer o que eu não quero"
J.J. Rousseau (filósofo francês)


Exatamente.

Não quero ter que me submeter a lavagens cerebrais impostas ao povo, em forma, mentirosa diga-se de passagem, de "entretenimento fácil"; para alguns, isso é parte da política do pão e circo (utilizada na Grecia antiga, onde os imperadores davam espetaculos circenses, e de gladiadores, e pão para que o povo se esquecesse de todo o resto dos problemas...), o que nada mais é do que uma maldita ilusão, que nem o Mister M conseguiu fazer que o povo enxergasse.

É triste (e como!) você ver pessoas apodrecendo por aí, como zumbis, mortos-vivos, enfim. Pessoas que sequer usam o próprio cérebro: chegamos a um nível de globalização e avanço tecnológico, que não é preciso mais opensar, ter gostos próprios, ter vontades e anseios próprios, pois isso tudo já lhe é dado em doses herméticas, todo "santo" dia. O tiroteio vem de todos os lados, e nós somos as vitimas do fogo cruzado, que sempre visa nossos cérebros. Ora uma Igreja, ora uma televisão, uma novela, ora um jornal que inventa um termo (Folha? "Falso" Dossiê?), ora um "formador de opinião" que emite suas opiniões vazias e cheias de palavras bonitas e termos filosóficos (Arnaldo? Jabour?), ora a escola, ora seu tio "conservador", ora seu amigo, ora seu inimigo, ora eu, ora você...

Eu não queria ter de fazer isso: não queria ter de vir escrever aqui, em um blog, ter de discutir com outras pessoas, ter de tentar mostrá-las que pensando, é o melhor caminho. Eu não queria que isso fosse necessário, sabem?

Eu não quero votar. Eu quero de volta o que me foi tomado. Que diabos de democracia fajuta é essa em que vivemos, e a qual, supostamente, temos que idolatrar como se fosse a nona, ou décima, ou vigésima sétima maravilha do mundo? Onde está o tal do governo do povo, me digam? Eu não quero votar, pois o poder é meu, é seu, é nosso.

Quem poderá representar a vontade de toda uma nação, oras? Onde, senão na maldita e fajuta democracia ditatorial que vivemos, o povo, detentor do poder, é o único que não manda, o único que se fode, o único que passa fome, o único que morre em filas de hospital? O único que tem como "direito" o "dever" de eleger um idiota para dizer "sim" e "não" por ele. É extremamente fácil responder por nós, mas... e sofrer, quem sofrerá por nós?

Eu não quero mais ter que seguir essa moral suja e imoral, que era usada em um tempo que as onças voavam. Eu não quero TER que ser bom com os outros porque isso é certo: eu quero ser bom, se isso me agradar, e quando me agradar (e, infelizmente, ou não, agrada...). Eu quero ser bom, porque é bom para mim, ser bom.

Eu não quero ter que aguentar pessoasinhas sem-vida própria dando palpites nas vidas alheias, e chamando de "loucos", "doidos", "malucos", "irresponsáveis" aqueles que conseguiram fugir ao modelinho estúpido do qual eles fazem parte.

Eu não quero ter que obedecer leis malditas, que de nada me servem, senão para me limitar a liberdade, me extorquir de forma cruel e contribuir para me transformarem em nada além de um carneirinho dócil e de fácil manuseio. Oh, céus, só nos faltam cobrar para respirar. Bom, há um tempo fiquei sabendo de um idiota que vendia ar engarrafado em um site de vendas da internet...

Pago para morrer, pago para viver, pago para matar, pago para sofrer. O que, céus, eu não pago? E mesmo pagando, as pessoas ainda não "usufruem" de verdade da vida.

Eu não quero ter de aguentar a "condição" de que eu tenho que ter dinheiro. O dinheiro de nada me serve. Droga, mas eles cobram-nos tudo. Onde foi parar o escambo do feudalismo?

Eu não quero... eu não quero... eu quero ser feliz? Eu não sei se quero...


Nao queira também. Queira, pelo menos, não querer, também.

0 Comments:

Post a Comment

Links to this post:

Create a Link

<< Home