Saturday, December 16, 2006

Aracruz Celulose e o Deserto Verde

"Deserto Verde" foi uma expressão criada para designar as areas onde existe a monocultura de eucalipto, pois, mesmo sendo muitas vezes esse plantio hamado de "reflorestamento", não podemos considerar aquilo como sendo tal, pois não está sendo replantada uma floresta, onde existem várias espécies de arvores e plantas, onde haja uma biodiversidade.

Os Desertos verdes são muito prejudiciais para a biodiversidade, especialmente pelo fato dos eucaliptos serem considerados também as "arvores da sede", uma vez que um eucalipto com 15 metros de altura é capaz de absorver cerca de 3,5 mil litros de agua em apenas um ano. Esse número é três vezes maior do que a média de chuva nos pampas gaúchos. Ou seja: o eucalipto vai acabar retirando a agua de alguma outra arvore.

A "Aracruz Celulose" é uma empresa que só no ano de 2004 produziu 2,4 milhões de toneladas, e com isso, é considerada a maior empresa produtora desse tipo de celulose (uma celulose de fibra curta de alta qualidade, utilizada para produzir papel para imprimir e escrever) no mundo todo. Porém, convém lembrar também, que 97% desse total de produção, se destinou à exportação para mercados internacionais.

No Brasil, a Aracruz Celulose conta com fábricas em três estados: Bahia, Rio Grande do Sul, e Espirito Santo. Ao todo, a Aracruz Celulose é dona de 375 mil hectares de terra nesses três estados.

Com relação ao suposto "reflorestamento", são produzidas cerca de 10 milhões mudas de eucalipto por ano pela Aracruz.

Porém, todos esses supostos recordes dependem de apoio do governo, o qual, através do BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social) tinha um débito com relação a Aracruz de R$ 904 milhões em 2005, com juros de 11,8% ano ano. Ou seja, hoje, caso a divida não tenha sido paga, encontra-se acima de R$ 1 bilhão.

Muito embora a Aracruz pareça ser uma empresa "boazinha", ela não é: divulga empregar 4 pessoas por hectare de eucalipto plantado, o que daria um total de 988 mil empregos diretos, em 2004, quando a empresa cultivava eucaliptos em 247 mil hectares. Porém, segundo o estudo "Promessas de emprego e destruição do trabalho" realizado por diversos ambientalistas e sindicalistas, esse número não passaria de 1.031 empregados.

Isso acontece pois o custo por posto de trabalho na Aracruz é muito alto. Na fábrica C, inaugurada em 2002 no município de Barra do Riacho (ES), foram investidos 575 milhões de dólares resultando na abertura de 173 empregos. Ou seja, são 3,324 milhões de dólares (ou R$ 6,939 milhões) para gerar cada posto de trabalho. Sendo assim, toda a dívida que a Aracruz tem com o BNDES, R$ 904 milhões significa 130 empregos. Para cada vaga de catador de material reciclável, o investimento seria de R$ 3.094.

Considerando a geração de emprego por extensão de terra, a monocultura do eucalipto também se mostra improdutiva. A Aracruz gera um posto de trabalho por cada 122 hectares. Na monocultura do café, é um emprego para cada hectare. Já na agricultura camponesa, cada hectare emprega até cinco pessoas.

Com relação à geração de renda, o dado também é desanimador. Em média, os trabalhadores da monocultura de eucalipto recebem entre um e um e meio salário mínimo (R$ 350). Os cafeicultores e pequenos camponeses conseguem ter rendimentos de em média R$ 1 mil.

Além disso tudo, a Aracruz Celulose também prejudica as populações indigenas das regiões de suas fábricas, com seus produtos quimicos (um dos venenos utilizados pela Aracruz nas plantações de eucalipto é o Tordon 2 que, além de ilegal, por ser comprovadamente cancerígeno e causador de doenças genéticas, não é indicado para esse tipo de cultura), com suas desapropriações arbitrárias e suas mentiras (promessas de politicas culturais e educacionais visadas às populações locais, que nada recebem).

E ela ainda posa para fotos como sendo "amiga da natureza", e aquela que "ajuda o Brasil a se desenvovler", recebendo apoio de "personalidades" brasileiras, como Pelé, Daiane dos Santos...

Mais informações sobre a Aracruz Celulose e o Deserto Verde em:http://www.brasildefato.com.br/brasildefato/v01/agencia/especiais/desertoverde

"Deserto Verde" foi uma expressão criada para designar as areas onde existe a monocultura de eucalipto, pois, mesmo sendo muitas vezes esse plantio hamado de "reflorestamento", não podemos considerar aquilo como sendo tal, pois não está sendo replantada uma floresta, onde existem várias espécies de arvores e plantas, onde haja uma biodiversidade.

Os Desertos verdes são muito prejudiciais para a biodiversidade, especialmente pelo fato dos eucaliptos serem considerados também as "arvores da sede", uma vez que um eucalipto com 15 metros de altura é capaz de absorver cerca de 3,5 mil litros de agua em apenas um ano. Esse número é três vezes maior do que a média de chuva nos pampas gaúchos. Ou seja: o eucalipto vai acabar retirando a agua de alguma outra arvore.

A "Aracruz Celulose" é uma empresa que só no ano de 2004 produziu 2,4 milhões de toneladas, e com isso, é considerada a maior empresa produtora desse tipo de celulose (uma celulose de fibra curta de alta qualidade, utilizada para produzir papel para imprimir e escrever) no mundo todo. Porém, convém lembrar também, que 97% desse total de produção, se destinou à exportação para mercados internacionais.

No Brasil, a Aracruz Celulose conta com fábricas em três estados: Bahia, Rio Grande do Sul, e Espirito Santo. Ao todo, a Aracruz Celulose é dona de 375 mil hectares de terra nesses três estados.

Com relação ao suposto "reflorestamento", são produzidas cerca de 10 milhões mudas de eucalipto por ano pela Aracruz.

Porém, todos esses supostos recordes dependem de apoio do governo, o qual, através do BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social) tinha um débito com relação a Aracruz de R$ 904 milhões em 2005, com juros de 11,8% ano ano. Ou seja, hoje, caso a divida não tenha sido paga, encontra-se acima de R$ 1 bilhão.

Muito embora a Aracruz pareça ser uma empresa "boazinha", ela não é: divulga empregar 4 pessoas por hectare de eucalipto plantado, o que daria um total de 988 mil empregos diretos, em 2004, quando a empresa cultivava eucaliptos em 247 mil hectares. Porém, segundo o estudo "Promessas de emprego e destruição do trabalho" realizado por diversos ambientalistas e sindicalistas, esse número não passaria de 1.031 empregados.

Isso acontece pois o custo por posto de trabalho na Aracruz é muito alto. Na fábrica C, inaugurada em 2002 no município de Barra do Riacho (ES), foram investidos 575 milhões de dólares resultando na abertura de 173 empregos. Ou seja, são 3,324 milhões de dólares (ou R$ 6,939 milhões) para gerar cada posto de trabalho. Sendo assim, toda a dívida que a Aracruz tem com o BNDES, R$ 904 milhões significa 130 empregos. Para cada vaga de catador de material reciclável, o investimento seria de R$ 3.094.

Considerando a geração de emprego por extensão de terra, a monocultura do eucalipto também se mostra improdutiva. A Aracruz gera um posto de trabalho por cada 122 hectares. Na monocultura do café, é um emprego para cada hectare. Já na agricultura camponesa, cada hectare emprega até cinco pessoas.

Com relação à geração de renda, o dado também é desanimador. Em média, os trabalhadores da monocultura de eucalipto recebem entre um e um e meio salário mínimo (R$ 350). Os cafeicultores e pequenos camponeses conseguem ter rendimentos de em média R$ 1 mil.

Além disso tudo, a Aracruz Celulose também prejudica as populações indigenas das regiões de suas fábricas, com seus produtos quimicos (um dos venenos utilizados pela Aracruz nas plantações de eucalipto é o Tordon 2 que, além de ilegal, por ser comprovadamente cancerígeno e causador de doenças genéticas, não é indicado para esse tipo de cultura), com suas desapropriações arbitrárias e suas mentiras (promessas de politicas culturais e educacionais visadas às populações locais, que nada recebem).

E ela ainda posa para fotos como sendo "amiga da natureza", e aquela que "ajuda o Brasil a se desenvovler", recebendo apoio de "personalidades" brasileiras, como Pelé, Daiane dos Santos...

Mais informações sobre a Aracruz Celulose e o Deserto Verde em:http://www.brasildefato.com.br/brasildefato/v01/agencia/especiais/desertoverde

Saturday, December 02, 2006

Qual a diferença entre o México e o Brasil?

Alguém pode me dizer o que há no México, que não há no Brasil?

Bom, são dois paises latino-americanos, explorados na sua colonização por europeus que não tinham mais o que fazer, senão assassinar, roubar, queimar, destruir, empobrecer, explorar...

Como consequencia disso, embora tenham recursos naturais para reverter a situação, os dois países são muito pobres, e se encontram dentro do "terceiro mundo". E também, como consequencia da má distribuição de renda, sofrem com a desigualdade social, que culmina na violência, e outros problemas sociais.

Ambos são controlados meticulosamente pelos EUA, que mantém um olho neles, e outro no peixe. Ou seriam eles dois os peixes?

Mas, então, o que há no México que motiva seu povo a se revoltar contra as injustiças que sofre, e que não motiva o brasileiro da mesma forma?

Citarei aqui três movimentos sociais que ocorreram/ocorrem no México, que deveriam servir de exemplo para os brasileiros, mas que a midia parcial e suja do Brasil faz questão de não expor, e quando o faz, faz de uma forma totalmente distorcida e parcial:

1) EZLN (Exército Zapatista da Libertação Nacional) - O EZLN é um exército que surgiu no Estado de Chiapas, que em 1º de Janeiro de 1994 tomou para si, e para o povo, o controle do estado de Chiapas, ao sul do México. O EZLN tem como "chefe" e lenda, idolatrado pela população, a qual criou todo um mistério acerca da pessoa dele, é o Subcomandante Marcos, cuja identidade verdadeira é desconhecida, e cuja imagem é a de uma pessoa com o rosto coberto, e um cachimbo na boca. Segundo Marcos, a intenção do EZLN é fazer uma proposta diferente de governo, onde o povo e a sociedade é que seriam os verdadeiros governantes, embora ele próprio diga que não gosta de seguir dogmas e paradigmas (como comunismo, leninismo, trotskismo...). ATé hoje o estado de Chiapas sofre ataques do governo mexicano, e vive em constante guerra, onde o governo, para justificar os massacres covardes, diz "querer tazer de volta a democracia". Mas... não seria isso a democracia (governo do povo, em grego) de verdade?

2) Agora em 2006, na cidade de San Salvador de Atenco, no próprio México, houve também uma revolta popular. O governo federal (do agora ex-presidente Vicent Fox) decidiu expropriar a terra comunais de Atenco (todo o povo da cidade plantava na mesma terra, onde todos dividiam entre si os frutos) para a suposta construção de um aeroporto. Mas é claro que o povo não aceitou isso. Resolveram proteger o que era seu de direito, e a resposta covarde do governo foi a de enviar para lá mais de 3000 homens do exército, para enfrentar com balas a tanques de guerra, um povoado pequeno, armado de pedaços de pau. Como resultado, duas pessoas inocentes morreram, e centenas foram presas (injusta e arbitrariamente), torturadas e violentadas, além das mulheres dos camponeses terem sido, segundo muitas delas relataram, estupradas e abusadas pelos soldados. Vez ou outra vemos algo igual no Brasil, mas... muitas vezes, a indgnação fica só na conversa no boteco: "viu só, eles estão tirando nossas terras... como isso me dá raiva... agora vou ver o jogo da seleção."

E, finalmente, por favor, leiam:

3) Na cidade de Oaxaca, capital do estado de mesmo nome (ao sul do méxico, e vizinha do estado de Chiapas), no dia 22 de Maio deste ano, os professores foram às ruas para protestar por um aumento salarial para a classe (cujo salario é dos menores do país). Essa marcha conseguiu mobilizar cerca de 70 mil pessoas que protestavam tamb';em contra o governador de Oaxaca, Ulises Ruiz, que decidiu responde aquela PACIFICA manifestação com violencia, o que gerou a indgnação de todo o estado de Oaxaca. A partir daí, camponeses, indígenas e outros meios da sociedade se solidarizaram a luta, e decidiram formar a APPO (Assembléia Popular dos Povos de Oaxaca), que seria uma entidade que representaria o povo do Oaxaca para que este pudesse se autogerir, uma vez que a legislação mexicana o permite.Mas Ulises Ruiz, junto de Vicente Fox não aceitaram essa idéia, e desde então, atacam incessantemente o Estado de Oaxaca, e principalmente sua capital de mesmo nome, onde o povo é que comanda os meios de comunicação e é quem se governa nesse momento. Já foram mortos muitos inocentes nessa "guerra" desnecessária criada pelos governos mexicanos, e entre eles, o jornalista, documentarista e ativista norte-americano "Brad Will", que estava a serviço do IndyMedia ( CMI - Centro de Midia Independente ), que gravou o momento que foi morto covardemente por homens do exército mexicano.

É o povo, lutando por si próprio, enfrentando o covarde e incompetente governo mexicano, que nada quer, senão garantir seu controle autoritário sobre mais uma parcela da população mexicana.

É claro, nem todo mundo sabe desses acontecimentos... sabe porque? Porque não interessa à midia mostrar movimentos populares, atos covardes de governos despóticos e entreguistas.

Apenas convém mostrar o povo, que protesta pacificamente e busca algo que lhe é de direito, como um bando de "baderneiros, assassinos e terroristas", como sempre. Essa maldita midia parcial e suja que desinforma o povo, e o mantém, como sempre, preso ao velho esquema do "pão e circo". Enquanto houverem pessoas interessadas e compromissadas com a verdade, ela nunca morrerá. Divulgue você também esses trágicos acontecimentos.

Agora, me respondam, por favor: qual a diferença entre o México e o Brasil?

SOMOS TODOS OAXACA!
JUNTOS! FORÇA OAXACA!!!!